sexta-feira, 25 de março de 2016

A inteligência excessiva e atípica é um duplo mal: ela faz sofrer e ninguém não pensa a lastimar daquele que sofre. Pelo contrário, ela pode suscitar inveja e agressividade e ampliar assim o sofrimento. Não se dirá jamais de alguém: <Ele é simpático, mas pobre, ele é muito inteligente!>
David há algumas vezes que ele vem me ver. Ele deve ter dificuldade de achar uma via que o convém. Ele abandona e cada vez que ele visa um novo projeto, sua análise extralúcida os faz perceber as falhas e os limites. Então ele procura outra coisa. Um dia, em curso de sessão, ele me diz: < Como pode você me compreender já que você não é sobredotado? Você terá seus limites. Você pode compreender a teoria, mas não o que eu vejo. > Ufa, é preciso o entender mesmo! E integrá-lo no avanço terapêutico. Senão é ruim, é o paciente que perde.

Quando se é sobredotado, não se sente jamais, mas então jamais, superior aos outros. Bem ao contrário. E entretanto, esta idéia do sentimento de superioridade que se vivenciaria porque se é sobredotado martela tanto os espíritos... daqueles que não o são!


O que é verdade, no entanto, é que certos sobredotados < incham seu ego >. Eles desenvolvem uma personalidade que apareça suficiente, adotam este comportamento. Eles dão a imagem de pessoas que se pensam tão acima da massa. Mas não nos enganemos a respeito! O sobredotado que parece pretensioso é o mais vulnerável entre todos. Sua suficiência tenta esconder seu sentimento de profunda fragilidade.
A lucidez sobre o mundo e sobre si abre as portas de uma compreensão chocante e afiada. A potência desta lucidez pode ser dolorosa mas ela é também a fonte de uma visão das coisas que se poderia finalmente qualificar de extralúcida.
Sua sensibilidade do mundo e de sua inteligência atípica! Que desperdício! ... cuja diferença suscita mais inveja do que compaixão, enfim todos os sobredotados que sofrem em silêncio não são jamais (muito raramente) levados em conta pela nossa sociedade do século XXI.

quinta-feira, 17 de março de 2016

"O sobredotado cedeu, de seu lado, por compaixão. A estima que ele tem para com a psicóloga o fez evitar colocá-la em grande dificuldade profissional. Ele a respeita e respeita suas competências. O que a salva... a ela!"
Frequentemente ele antecipa suas questões, suas interpretações, e o psicólogo pego na cilada será confrontado num ilusório sentimento de competência. 
Muitos psicólogos são procedentes da psicanalítica clássica, sem nenhuma ligação com as características de personalidade do sobredotado.
David. Há algumas vezes que ele vem me ver. Ele deve ter dificuldade de achar uma vida que lhe convém. Ele abandona, e cada vez que ele visa um novo projeto, sua análise extralúcida o faz perceber as falhas e os limites. Então ele procura outra coisa. Um dia, em curso de sessão, ele me diz: &lt; Como pode você me compreender já que você não é sobredotado? Você terá seus limites. Você pode compreender alguma teoria, mas não o que eu vejo. &gt; Ufa, é preciso entendê-lo mesmo! E integrá-lo no avanço terapêutico. Senão é ruim, e é o paciente que perde.
Como é humanamente possível recusar injustamente em aceitar toda uma população marginal sobre pretextos ideológicos ultrapassados? Com qual finalidade? Como não respeitar todas essas pessoas em sofrimento, mas também todos estes pais desamparados que procuram ajuda para acompanhar seus filhos?
Como é possível ignorar que a inteligência excessiva é forçosamente ansiogênica e que ela gera uma sensibilidade, uma lucidez, uma maneira de ser no mundo que marca o conjunto da personalidade?
Então talvez é preciso esperar que as mentalidades evoluam, que as neurociências acelerem mais seus prodigiosos avanços, que certos clínicos atualizem seus conhecimentos para que, enfim, os sobredotados sejam compreendidos e ajudados nas suas fragilidades que lhes são específicas.
Eles mesmos percebem, sem saber o nomear, os outros sentem, mas o atribuem espontaneamente a um traço de caráter, a uma originalidade, à personalidade &lt;marginal&gt;, ou muito sensível de seu amigo... O adulto se acha assim pego, e este desde sempre, num sistema de espelhos que refletem imagens de si mesmo multiformes e frequentemente deformadas. 
“Eu não saberia dizer qual foi meu alívio de me saber normal, eu que sempre vivi como deslocada, inadaptada. Eu pude enfim colocar as palavras sobre minhas sensações, e, se eu não sou livre, eu me sinto liberada.”
(Na verdade, eu o considero mais adaptado que os outros, diz a autora.)
Do cérebro dos sobredotados:
Os primeiros malentendidos: não compreender os implícitos, não decodificar o sentido das palavras. 
Dependência em relação ao campo. Estilo cognitivo diferente.
Sempre dependente do contexto afetivo. Ele não sabe, não pode funcionar sem levar em conta a dimensão e a carga emocional presentes.
Do muito pensar à impulsividade. Uma particularidade de funcionamento . 
A resposta intuitiva: não poder aceder aos procedimentos. Vias ultrarápidas e por si mesmas imperceptíveis à consciência. 
Hiperestesia ou a percepção intensiva de todos os sentidos. A sinestesia, uma surpreendente competência sensorial.
A empatia que capta as emoções dos outros. 
Pensamento linear e pensamento em arborescência (este último, o dos sobredotados.)
O déficit de inibição latente.


Na realidade, eu acho que, finalmente, a contribuição das neurociências tranquiliza, mas não traz senão reais revelações: os clínicos sabem desde muito tempo reconhecer a singularidade do pensamento e da afetividade dos sobredotados
Em todo caso, o que verdadeiramente está em jogo se resume na questão seguinte: e agora, So what?  Diriam os Anglo-Saxões.
(S. Facchin)

Atenção para não se deixar agarrar pelas representações dominantes

'Trechos.
(...) Atenção para não se deixar agarrar pelas representações dominantes. Como se a representação corrente de uma grande inteligência supusesse a obrigação de um grande destino. Isto não é uma crítica, é claro. Mas uma constatação. A explicação? O medo. Pois na sua leitura acelerada da vida, o adulto sobredotado se reconecta brutalmente a ele mesmo, a todas as questões meticulosamente abafadas. A resposta é mais sutil, mas complexa. Trata-se menos de fazer algo de diferente que de ser enfim si mesmo.
~ O BB, Brillant Bosseur, não é o sobredotado... É a origem da confusão. Pensar que aquele que tem êxito brilhantemente é forçosamente sobredotado. Então mistura-se duas características distintas. O Brilhante Hard-Working (B. Bosseur) é aquele que possui uma grande inteligência mas adaptativa. Uma forma de inteligência parecida àquela de todos. Somente diferente em quantidade e não em qualidade. O primeiro tem uma inteligência quantitativamente superior mas qualitativamente idêntica. De mais, com esta inteligência adaptativa, saberá otimizar trabalhando para fazer uma força de sucesso exemplar, no sentido mais clássico do termo.
Mas esses BBs se distinguem dos sobredotados pela sua facilidade de utilizar seu potencial cujas formas adaptadas convêm bem à nossa sociedade. De outro lado, a natureza da inteligência mais intensa, desenfreada, do sobredotado, torna seu mais difícil. Para ele, o combate é ele mesmo primeiro. É chegar a aprisionar, dosar, canalizar seu pensamento e sua compreensão tentacular do mundo em um curso linear e concentrado. Tudo apaziguando as asperezas as mais sensíveis e dolorosas de sua sensibilidade. É seu primeiro desafio. Depois, somente depois, ele poderá se interrogar sobre como fazer com o mundo?
~ 'L'émotion pour un surdoué s'insinue partout, tout le temps, dans les moindres interstices. Et quelquefois, on joue à l'adulte.'
O sobredotado é particularmente dotado na matéria: ele capta toda sorte de emoções, mesmo a mais tênue. Eles sabem antecipá-la. 
~ Todos os sentidos a serviço do prazer de viver. A hiperestesia redobra as possibilidades. A colocação em ação de todos os sentidos simultaneamente e sua notável capacidade de discriminação, dão ao sobredotado uma presença no mundo fora do comum. A hiperestesia amplifica todas as percepções. Ela permite criar o bonito lá onde outros não verão senão o banal. Ela ilumina o mundo pela densidade emocional que todos os sentidos proporcionam. A hiperestesia pode ser utilizada para capturar o ambiente e o magnificar. Utilizar todos os sentidos para abraçar o mundo. Tudo sentir pode ser um imenso prazer e a fonte de momentos mágicos de vida.
~ A sensibilidade poética e estética, culto ao Belo.
~ A hipersensibilidade invasiva. Sentir tão forte as emoções, a vida que vibra em torno de si. Tudo perceber, amplificado, aumentado, incontornável. Captar e registrar o mais ínfimo detalhe. Aquele tão insignificante, que não atravessou a barreira da consciência. Então, inchado de emoções, de sensações, a vida torna um relevo admirável, uma densidade rara. Intensa.
~ A incompreensão recíproca do mundo. Não se compreende os outros.. e somos incompreendidos. 
Como compreender o incompreensível? O sentido. Primeiro o sentido. Sempre o sentido. O motivo condutor do funcionamento do sobredotado, a procura obstinada e incoercível. A busca do sentido das coisas, do sentido preciso das coisas, absoluto. O risco? A procurar um sentido a tudo acaba-se por encontrar o absurdo, o não-sentido. O simples bom senso não tem mais curso. Então como compreender o incompreensível? E o sobredotado, decepcionado, não compreende mais. Retorna nas questões jamais resolvidas.
Compreender de outra forma produz bem estranhos malentendidos. Na sua vida profissional, é o leito de numerosas decepções e de malentendidos por vezes irreversíveis.
~ Na vida pessoal ou no universo profissional, esta inteligência singular, capaz de pensar um problema ativando simultaneamente representações múltiplas, alarga consideravelmente a compreensão e a análise. Cada problema pode ser estudado sob vários ângulos. Tudo será explorado. E, ao final, uma avaliação rara e exaustiva, um poder de reflexão fora do comum, uma visão esclarecida e potencial. Um imenso trunfo a utilizar sem moderação!
~ A evasão pelo pensamento. O mais frequente é falar disso como uma crítica. Critica-se, na infância e mesmo no adulto, evadir-se no pensamento. Pode-se compreender que este funcionamento possa ser irritante ou perturbador em certas situações. Mas é também uma maneira muito útil de utilizar os recursos de pensamento. O imaginário rico alimentado pela memória, a exarcebação de todos os sentidos e as capacidades de associação podem fabricar um sonho suficientemente forte para vos extrair momentaneamente e vos alimentar. O corpo resta lá mas o espírito se destaca e todo nosso ser, físico e psíquico, participa da viagem. Um verdadeiro prazer. Uma verdadeira regalia para todos os sentidos e em todos os sentidos. Um pleno de energia. 
~ Confunde-se, na realidade, sucesso, aquele comumente admitido por todos, e sentimento de sucesso, que escapa às regras estabelecidas. O sentimento de sucesso é íntimo, pessoal, resulta de uma alquimia sutil. Experimentar o sentimento de ter êxito em sua vida é independente do ambiente.
Para o sobredotado, preso a múltiplas interrogações, a uma colocação em questão incessante, como pensar o sucesso? Pode-se somente o pensar? Para o sobredotado, isto não pode ser senão um sentimento flutuante, instável.
Para o sobredotado, ter sucesso, é possível? Não como ele gostaria. Jamais à altura do ideal que ele tem da vida e de si mesmo. Para ele, obter êxito, é fazer avançar a humanidade, o mundo. Não se trata de um sucesso profissional clássico. Não é perfeitamente isto para um sobredotado, mesmo se ele participa disto. Ele vive com uma visão mais transcendental do sucesso. O sobredotado está raramente satisfeito. A imagem do sucesso que ele pode por vezes dar não está jamais sincronizado com sua visão do mundo. 
"Meu projeto, você irá certamente zombar de mim, confessa-me Julien, seria de ajudar a humanidade a melhor viver." Ainda encontra-se murmurando, consciente da megalomania de seu desejo, que o que desejaria, seria ser como Jesus ou Buda para transmitir uma mensagem ao mundo e fazer profundamente evoluir os homens.
Vê-se o abismo que separa o que aparece da realidade e o sonho grandioso. Mas que incomoda, sempre, o sobredotado. Mesmo quando ele não diz nada e que parece tão arrumado numa vida clássica de felicidades simples e no sucesso complacente. Não se enganem: no fundo de si, o projeto insensato continua a murmurar.
~ Quando o tempo não está sincronizado com o que se vive: não poder aproveitar as coisas. É uma combinação da falha espaço-temporal e da diferença do tempo: o sobredotado tem dificuldade de estar totalmente no que ele faz, no que ele vive. Seu pensamento o conduz a analisar seu presente em lembranças ou num passado mais amplo, mas também a se projetar num futuro onde ele se recordará do que ele está em forma de viver no aqui e agora. 
~ A falha espaço-temporal: Viver em vários espaços-tempos. Isto se complica ainda. O sobredotado se sente multi-idade, mas ele se situa igualmente em vários espaços-tempos: passado-presente-futuro. Tempo do vivido individual, mas que é também recolocado no contexto do espaço-tempo do universo. Impossibilidade do sobredotado de se desatar do contexto. Sua existência, sua razão de ser e de viver é dependente dA Vida, ocm um A e um V maiúsculos. Sua vida é ligada ao sentido do munod. Mesmo se o sentido lhe escapa, ele não pode se considerar como isolado do resto. Toda sua vida pessoal é perpetuamente colocada em perspectiva à escala do universo. Para o sobredotado, somente esta perspectiva universal e intemporal pode ter sentido e dar sentido à vida comum de cada um. 
~ Aquele que tem a idade do mundo. Mas eis outra face inesperada. A parte infantil do sobredotado, smepre muito presente, costeia uma outra percepção: se sentir multi-idade. A sensação, segundo as circunstâncias, os contextos, as pessoas com as quais se encontra, de ter simultaneamente ou sucessivamente níveis de maturidade diferentes.
(...) Atenção, eu não estou em vias de dizer que o sobredotado é todo-poderoso e onipotente. Mas eu digo que seu modo de funcionamento, sob as versões intelectual e afetiva, dão a ele uma hipermaturidade muito característica. Uma criança hipermadura! A hipermaturidade deve ser aqui compreendida como esta capacidade única de analisar com uma lucidez exemplar todas as componentes de uma situação e aí se adaptar. Ou lutar contra, o que torna-se o mesmo em termos de mecanismo.
Os adultos sobredotados partilham uma característica perfeitamente surpreendente e entretanto bem escondida: uma parte infantil ainda muito presente. Então, algumas vezes, brinca-se de adulto, dá-se ares de adulto... tudo sonhando como uma criança!
O mais frequente, a criança sobredotada cresceu sabendo. Sua capacidade de sentir o outro, os outros, sua receptividade emocional, suas capacidades de percepção e de análise tinham enviado a ela a mensagem: atenção, ilusão! Ela adquiriu muito cedo a certeza que ser adulto não está conforme às imagens que estes últimos tentaram mostrar.
~ Toda a sua hipersensibilidade à disposição do prazer de viver!
~ A lucidez estonteante. como viver com esta lucidez que inunda tudo que o cerca. Não identificada nos manuais de psicologia. Que escruta o menor recanto. Uma lucidez que penetra o mais profundo do outro. A lucidez do sobredotado é tanto mais potente quanto ela se alimenta de uma dupla fonte: a inteligência aguçada que disseca e analisa, a hiper.receptibilidade emocional que absorve a mais ínfima partícula de emoção ambiente.
~ Todo o funcionamento intelectual e afetivo aguça os contornos, desde criança, claro.
~ etc.
tradução Viviane Anetti (J.S.-Facchin, autora francesa)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Comming-out intelectuell

Elle est inévitable, tout zèbre y a été confronté au moins une fois dans sa vie, ne serait-ce qu'à l'annonce de l'existence de ses rayures, &amp; pourtant elle est toujours aussi angoissante cette question !
La voici la voilà : doit-on faire son coming-out intellectuel :?:
Autrement formulé, faut-il en parler ou pas ?
Il est un éternel recommencement d'explications avec force détails (sans quoi il n'y a pas d'explication claire envisageable !), de prises de risques (&amp; donc de déceptions potentielles allant de paire avec ces prises de risques...), de combat de jugements préconçus liés au spectre de la supériorité intellectuelle qui fascine &amp; qui, en même temps, inquiète.

En clair, ce n'est pas simple &amp; je crois qu'il est absolument impossible de répondre à cette question en étant catégorique,  tant le contexte &amp; l'histoire personnelle de chacun peuvent influer sur le résultat, &amp; les conséquences qui en découleront. Conséquences qui, je vous le rappelle, pourraient être importantes, tant dans le sens positif que négatif (ce qui est plus embêtant !) :-|

J'ajouterai que le coming-out intellectuel n'a pas non plus la même portée (ni les mêmes incidences) selon qu'il s'agisse d'un grand Zèbre (d'un adulte) ou d'un zébrillon (d'un enfant !) :-o

Attention donc aux répercussions qu'un coming-out mal compris pourrait avoir dans la vie de votre enfant au quotidien, dans ses activités, dans ses relations amicales, etc.
Les idées reçues ont la peau dure &amp; les jalousies se traduisent souvent en petites réflexions acerbes vis à vis des plus jeunes eux-même (s'attaquer aux parents demanderait plus de cran... il est donc plus facile de diriger les pics vers l'enfant) qui sont démunis &amp; ne peuvent faire face à ces coups portés, parfois d'une grande cruauté &amp; injustice.

C'est pourquoi je pense qu'il faut vraiment peser le pour &amp; le contre quand il s'agit d'un coming-out "relationnel" (dans l'environnement familial ou simplement amical),  &amp; ne pas se précipiter lorsqu'il s'agit d'un petit HPI.
Le soutien que s'on s'attendrait légitimement à trouver auprès d'une amie en qui l'on a toute confiance, par exemple, pourrait soudain se muter en une sorte d'affrontement &amp; de compétition, car l'autre n'aurait pas compris la raison de ce coming-out. Elle se sentirait attaquée, rabaissée, voire ferait très vite un parallèle entre sa progéniture &amp; la vôtre qui lui est alors présentée comme "différente" &amp; qu'elle traduirait &amp; percevrait malheureusement comme "supérieure" :cry:

Et de cet énorme malentendu (sans parler du flot d'images toutes faites qui viennent immédiatement entacher l'évocation du mot "surdoué"...) découleront plus de torts, que de soutien &amp; de compréhension.


quinta-feira, 15 de maio de 2014

quase-invisibilidade / impotência aprendida

Ficou constatada a quase-invisibilidade destes alunos na sala de aula, dentro de suas próprias famílias e, inclusive, para eles próprios. Existem fatores que impedem seu reconhecimento e atendimento na sala de aula e outros ambientes sociais ou laborais. Um desses fatores é o desconhecimento e a falta de valorização (ou a supervalorização) das características e comportamentos destas pessoas, o que significa a negação de suas necessidades enquanto sujeitos aprendentes, que juntamente com os mitos populares existentes numa sociedade que procura a 'normalidade' e a regra, mitos de igualdade impostos, geram inaceitação que se refletem em todo o ambiente no qual a pessoa sobredotada vive.
Quando é reconhecida, pode gerar medo, ódio, inveja ou supervalorização, por manter-se a ideia que, por ser SD, não precisa de atenção.
Em ambientes socioeconômicos e culturalmente desfavorecidos, encontra-se ainda o que Guenter (2006) denomina de Impotência Aprendida, que faz com que as SD se sintam incapazes de dar respostas adequadas às demandas das estruturas de poder porque o que elas produzem, pensam ou dizem, mesmo quando são produtos ou ideias dignos de destaque, não são reconhecidos como indicadores de uma capacidade superior, mas considerados como uma exceção ou atribuídos à sorte, ao acaso, a alguma ajuda humana ou supra-humana.
O mesmo acontece nos ambientes laborais, nos quais a pessoa sobredotada geralmente desenvolve tarefas ou atividades rotineiras, que estão aquém a sua capacidade de desempenho.
*
Desafios no ambiente de trabalho 

Por sua inteligência excepcional, seja em qual área for, essas pessoas podem vir a ter problemas no ambiente de trabalho, dependendo de como a empresa percebe esta alta habilidade.

"Conheci um adulto que era superdotado e, para não ser mal visto pelos colegas, quando a empresa tinha um problema, ele escrevia um bilhete para o chefe com a solução. O chefe não se sentia mal e ele não ficava indisposto com os colegas. Muitas pessoas ficam com inveja por não conseguir fazer o que ele (superdotado) faz", afirma Suzana.

O problema no ambiente de trabalho pode se agravar se o próprio chefe se sente ameaçado por esta pessoa. "O que eles se queixam é que os chefes não permitem que eles vão além. O trabalho é muito rotineiro e pode ser desmotivador. Ele acaba trocando de local". 

Autosabotamento.
(Repositório PUC)
Ser uma mulher sobredotada, você sabe, não é tão fácil...

Ser uma mulher sobredotada comporta certas particularidades. Na trajetória inicialmente. Sabe-se que as pequenas meninas mostram na infância maiores capacidades de adaptação que os meninos. Elas aceitam mais facilmente as “regras do jogo”, em particular escolares, e chegam a aí se conformar. Mas esta adaptação é custosa em energia. É uma estratégia de adaptação. Não é um mecanismo natural. Sua diferença é, para elas também, às vezes complicada em viver e a assumir. Elas se moldam para serem conformes ao que se espera delas.  Mas à qual preço?
Quando a carga é muito pesada e a tensão muito forte, as dificuldades podem surgir brutalmente na adolescência. E, aqui, é mais difícil de ajudá-las pois o sofrimento é antigo e muito cristalizado. Elas não relaxaram nada durante longo tempo. A dor estava contida e se enraizou.


Quando as dificuldades não chamejam na adolescência, a pequena menina sobredotada chega à idade adulta com suas questões sem respostas e sobretudo com o sentimento difuso mas constante de estar sempre deslocada, diferente. Ela pode viver toda sua vida se adaptando, remetendo-se em questão, procurando, nela, as razões de sua inquietação. Mas ela encontra poucas respostas e resta frequentemente numa vida “à margem” daquela que ela amaria tanto viver. E sem compreender. A mulher sobredotada é geralmente sozinha pois sua inteligência singular a isola ainda mais que os homens. Sua sensibilidade extrema a torna difícil de proteger. Então, os homens, os outros, podem ter medo.