quinta-feira, 15 de maio de 2014

Ser uma mulher sobredotada, você sabe, não é tão fácil...

Ser uma mulher sobredotada comporta certas particularidades. Na trajetória inicialmente. Sabe-se que as pequenas meninas mostram na infância maiores capacidades de adaptação que os meninos. Elas aceitam mais facilmente as “regras do jogo”, em particular escolares, e chegam a aí se conformar. Mas esta adaptação é custosa em energia. É uma estratégia de adaptação. Não é um mecanismo natural. Sua diferença é, para elas também, às vezes complicada em viver e a assumir. Elas se moldam para serem conformes ao que se espera delas.  Mas à qual preço?
Quando a carga é muito pesada e a tensão muito forte, as dificuldades podem surgir brutalmente na adolescência. E, aqui, é mais difícil de ajudá-las pois o sofrimento é antigo e muito cristalizado. Elas não relaxaram nada durante longo tempo. A dor estava contida e se enraizou.


Quando as dificuldades não chamejam na adolescência, a pequena menina sobredotada chega à idade adulta com suas questões sem respostas e sobretudo com o sentimento difuso mas constante de estar sempre deslocada, diferente. Ela pode viver toda sua vida se adaptando, remetendo-se em questão, procurando, nela, as razões de sua inquietação. Mas ela encontra poucas respostas e resta frequentemente numa vida “à margem” daquela que ela amaria tanto viver. E sem compreender. A mulher sobredotada é geralmente sozinha pois sua inteligência singular a isola ainda mais que os homens. Sua sensibilidade extrema a torna difícil de proteger. Então, os homens, os outros, podem ter medo.