segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

https://www.huffingtonpost.fr/virginie-cotel/apprendre-que-je-suis-surdouee-a-34-ans-a-bouleverse-ma-vie_a_23649254/?ec_carp=7298373471106876649&fbclid=IwAR2j_8NFJUqTqogVyrxyrCm0gnAkfgOqDJZjjWtauSpHRCRhtnM6X_b04Hc
'Trechos.
(...) Atenção para não se deixar agarrar pelas representações dominantes. Como se a representação corrente de uma grande inteligência supusesse a obrigação de um grande destino. Isto não é uma crítica, é claro. Mas uma constatação. A explicação? O medo. Pois na sua leitura acelerada da vida, o adulto sobredotado se reconecta brutalmente a ele mesmo, a todas as questões meticulosamente abafadas. A resposta é mais sutil, mas complexa. Trata-se menos de fazer algo de diferente que de ser enfim si mesmo.
~ O BB, Brillant Bosseur, não é o sobredotado... É a origem da confusão. Pensar que aquele que tem êxito brilhantemente é forçosamente sobredotado. Então mistura-se duas características distintas. O Brilhante Hard-Working (B. Bosseur) é aquele que possui uma grande inteligência mas adaptativa. Uma forma de inteligência parecida àquela de todos. Somente diferente em quantidade e não em qualidade. O primeiro tem uma inteligência quantitativamente superior mas qualitativamente idêntica. De mais, com esta inteligência adaptativa, saberá otimizar trabalhando para fazer uma força de sucesso exemplar, no sentido mais clássico do termo.
Mas esses BBs se distinguem dos sobredotados pela sua facilidade de utilizar seu potencial cujas formas adaptadas convêm bem à nossa sociedade. De outro lado, a natureza da inteligência mais intensa, desenfreada, do sobredotado, torna seu mais difícil. Para ele, o combate é ele mesmo primeiro. É chegar a aprisionar, dosar, canalizar seu pensamento e sua compreensão tentacular do mundo em um curso linear e concentrado. Tudo apaziguando as asperezas as mais sensíveis e dolorosas de sua sensibilidade. É seu primeiro desafio. Depois, somente depois, ele poderá se interrogar sobre como fazer com o mundo?
~ 'L'émotion pour un surdoué s'insinue partout, tout le temps, dans les moindres interstices. Et quelquefois, on joue à l'adulte.'
O sobredotado é particularmente dotado na matéria: ele capta toda sorte de emoções, mesmo a mais tênue. Eles sabem antecipá-la.
~ Todos os sentidos a serviço do prazer de viver. A hiperestesia redobra as possibilidades. A colocação em ação de todos os sentidos simultaneamente e sua notável capacidade de discriminação, dão ao sobredotado uma presença no mundo fora do comum. A hiperestesia amplifica todas as percepções. Ela permite criar o bonito lá onde outros não verão senão o banal. Ela ilumina o mundo pela densidade emocional que todos os sentidos proporcionam. A hiperestesia pode ser utilizada para capturar o ambiente e o magnificar. Utilizar todos os sentidos para abraçar o mundo. Tudo sentir pode ser um imenso prazer e a fonte de momentos mágicos de vida.
~ A sensibilidade poética e estética, culto ao Belo.
~ A hipersensibilidade invasiva. Sentir tão forte as emoções, a vida que vibra em torno de si. Tudo perceber, amplificado, aumentado, incontornável. Captar e registrar o mais ínfimo detalhe. Aquele tão insignificante, que não atravessou a barreira da consciência. Então, inchado de emoções, de sensações, a vida torna um relevo admirável, uma densidade rara. Intensa.
~ A incompreensão recíproca do mundo. Não se compreende os outros.. e somos incompreendidos.
Como compreender o incompreensível? O sentido. Primeiro o sentido. Sempre o sentido. O motivo condutor do funcionamento do sobredotado, a procura obstinada e incoercível. A busca do sentido das coisas, do sentido preciso das coisas, absoluto. O risco? A procurar um sentido a tudo acaba-se por encontrar o absurdo, o não-sentido. O simples bom senso não tem mais curso. Então como compreender o incompreensível? E o sobredotado, decepcionado, não compreende mais. Retorna nas questões jamais resolvidas.
Compreender de outra forma produz bem estranhos malentendidos. Na sua vida profissional, é o leito de numerosas decepções e de malentendidos por vezes irreversíveis.
~ Na vida pessoal ou no universo profissional, esta inteligência singular, capaz de pensar um problema ativando simultaneamente representações múltiplas, alarga consideravelmente a compreensão e a análise. Cada problema pode ser estudado sob vários ângulos. Tudo será explorado. E, ao final, uma avaliação rara e exaustiva, um poder de reflexão fora do comum, uma visão esclarecida e potencial. Um imenso trunfo a utilizar sem moderação!
~ A evasão pelo pensamento. O mais frequente é falar disso como uma crítica. Critica-se, na infância e mesmo no adulto, evadir-se no pensamento. Pode-se compreender que este funcionamento possa ser irritante ou perturbador em certas situações. Mas é também uma maneira muito útil de utilizar os recursos de pensamento. O imaginário rico alimentado pela memória, a exarcebação de todos os sentidos e as capacidades de associação podem fabricar um sonho suficientemente forte para vos extrair momentaneamente e vos alimentar. O corpo resta lá mas o espírito se destaca e todo nosso ser, físico e psíquico, participa da viagem. Um verdadeiro prazer. Uma verdadeira regalia para todos os sentidos e em todos os sentidos. Um pleno de energia.
~ Confunde-se, na realidade, sucesso, aquele comumente admitido por todos, e sentimento de sucesso, que escapa às regras estabelecidas. O sentimento de sucesso é íntimo, pessoal, resulta de uma alquimia sutil. Experimentar o sentimento de ter êxito em sua vida é independente do ambiente.
Para o sobredotado, preso a múltiplas interrogações, a uma colocação em questão incessante, como pensar o sucesso? Pode-se somente o pensar? Para o sobredotado, isto não pode ser senão um sentimento flutuante, instável.
Para o sobredotado, ter sucesso, é possível? Não como ele gostaria. Jamais à altura do ideal que ele tem da vida e de si mesmo. Para ele, obter êxito, é fazer avançar a humanidade, o mundo. Não se trata de um sucesso profissional clássico. Não é perfeitamente isto para um sobredotado, mesmo se ele participa disto. Ele vive com uma visão mais transcendental do sucesso. O sobredotado está raramente satisfeito. A imagem do sucesso que ele pode por vezes dar não está jamais sincronizado com sua visão do mundo.
"Meu projeto, você irá certamente zombar de mim, confessa-me Julien, seria de ajudar a humanidade a melhor viver." Ainda encontra-se murmurando, consciente da megalomania de seu desejo, que o que desejaria, seria ser como Jesus ou Buda para transmitir uma mensagem ao mundo e fazer profundamente evoluir os homens.
Vê-se o abismo que separa o que aparece da realidade e o sonho grandioso. Mas que incomoda, sempre, o sobredotado. Mesmo quando ele não diz nada e que parece tão arrumado numa vida clássica de felicidades simples e no sucesso complacente. Não se enganem: no fundo de si, o projeto insensato continua a murmurar.
~ Quando o tempo não está sincronizado com o que se vive: não poder aproveitar as coisas. É uma combinação da falha espaço-temporal e da diferença do tempo: o sobredotado tem dificuldade de estar totalmente no que ele faz, no que ele vive. Seu pensamento o conduz a analisar seu presente em lembranças ou num passado mais amplo, mas também a se projetar num futuro onde ele se recordará do que ele está em forma de viver no aqui e agora.
~ A falha espaço-temporal: Viver em vários espaços-tempos. Isto se complica ainda. O sobredotado se sente multi-idade, mas ele se situa igualmente em vários espaços-tempos: passado-presente-futuro. Tempo do vivido individual, mas que é também recolocado no contexto do espaço-tempo do universo. Impossibilidade do sobredotado de se desatar do contexto. Sua existência, sua razão de ser e de viver é dependente dA Vida, ocm um A e um V maiúsculos. Sua vida é ligada ao sentido do munod. Mesmo se o sentido lhe escapa, ele não pode se considerar como isolado do resto. Toda sua vida pessoal é perpetuamente colocada em perspectiva à escala do universo. Para o sobredotado, somente esta perspectiva universal e intemporal pode ter sentido e dar sentido à vida comum de cada um.
~ Aquele que tem a idade do mundo. Mas eis outra face inesperada. A parte infantil do sobredotado, smepre muito presente, costeia uma outra percepção: se sentir multi-idade. A sensação, segundo as circunstâncias, os contextos, as pessoas com as quais se encontra, de ter simultaneamente ou sucessivamente níveis de maturidade diferentes.
(...) Atenção, eu não estou em vias de dizer que o sobredotado é todo-poderoso e onipotente. Mas eu digo que seu modo de funcionamento, sob as versões intelectual e afetiva, dão a ele uma hipermaturidade muito característica. Uma criança hipermadura! A hipermaturidade deve ser aqui compreendida como esta capacidade única de analisar com uma lucidez exemplar todas as componentes de uma situação e aí se adaptar. Ou lutar contra, o que torna-se o mesmo em termos de mecanismo.
Os adultos sobredotados partilham uma característica perfeitamente surpreendente e entretanto bem escondida: uma parte infantil ainda muito presente. Então, algumas vezes, brinca-se de adulto, dá-se ares de adulto... tudo sonhando como uma criança!
O mais frequente, a criança sobredotada cresceu sabendo. Sua capacidade de sentir o outro, os outros, sua receptividade emocional, suas capacidades de percepção e de análise tinham enviado a ela a mensagem: atenção, ilusão! Ela adquiriu muito cedo a certeza que ser adulto não está conforme às imagens que estes últimos tentaram mostrar.
~ Toda a sua hipersensibilidade à disposição do prazer de viver!
~ A lucidez estonteante. como viver com esta lucidez que inunda tudo que o cerca. Não identificada nos manuais de psicologia. Que escruta o menor recanto. Uma lucidez que penetra o mais profundo do outro. A lucidez do sobredotado é tanto mais potente quanto ela se alimenta de uma dupla fonte: a inteligência aguçada que disseca e analisa, a hiper.receptibilidade emocional que absorve a mais ínfima partícula de emoção ambiente.
~ Todo o funcionamento intelectual e afetivo aguça os contornos, desde criança, claro.
~ etc.
tradução Viviane Anetti (J.S.-Facchin, autora francesa)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

le décalage

https://www.facebook.com/danslatetede/videos/2227724213956293/  ~ dans la tête de..
"Je fais les études que j'ai envie de faire, j'ai 20 ans, je suis en bonne santé, ça devrait rouler, et il y a ce sentiment d'être derrière un vitre en plexiglas, qu'il y a une incommunicabilité, qu'il y a quelque chose qui ne passe pas."

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

'Na vida, observa-se facilmente a diferença de comportamento segundo o tipo de situação.
Sendo o contexto carregado de informações, em particular emocionais, o sobredotado não chega a canalizar a sua atenção. Ele se coloca em modo <vigia> e não permite entrar em seu cérebro a não ser o mínimo de informações vitais... Nestes momentos, tem-se a impressão que ele não escuta, que ele não está lá. Por vezes prejudicial para ele e muito provocante para o meio. Ele está em modo econômico! Então, para se fazer entender, será preciso repetir um grande número de vezes!
O sobredotado funciona em tudo ou em nada. Mas, para ele, o tudo, é frequentemente demais.
Não é verdadeiramente escutar, não é verdadeiramente refletir com uma economia de energia cerebral. Um sobredotado pode verdadeiramente dar a impressão de ser idiota a tal ponto, ele pode às vezes reagir, tomar decisões, de maneira irrefletida. O mais frequente: em modo vigia, ele responde, toma uma decisão superficial ou pior, de lado. Donde vêm numerosos erros e conflitos inextricáveis. muito difícil efetivamente compreender e aceitar que este ser inteligente e sensível teria podido agir, intervir, de forma tão inadaptada. Não se pode chegar a o crer. Frequentemente o sobredotado procurará vos persuadir que ele não o fez de propósito, que ele não pensou nas consequências, que ele não havia bem compreendido e, tão surpreendente e desconcertante que isto possa parecer, é verdade! O que o pode conduzir a impasses de comunicação: o outro não pode entender uma inverossimilhança igual e insiste. Então o sobredotado, no fim de argumentos justificáveis, deixa o <combate>. Ele se fecha, não diz mais nada, foge. Ele não sabe mais o que é preciso dizer e prefere se subtrair à confrontação por impotência de afrontar. Ele não tem argumentos válidos, ele o sabe, mas o outro não pode admitir.
As crises, os conflitos, as reclamações sem fim, as punições, as reprimendas, segundo a disposição de cada um dos protagonistas, serão as consequências desse <desfuncionamento> ativado bem involuntariamente pelo sobredotado, ele mesmo infeliz de tanta incompreensão recíproca.
Vê-se como esse funcionamento pode ser compreendido como de insolência, de impertinência ou de provocação.
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No sobredotado, todas a informações são captadas nas redes de neurônios que circulam e se repartem em várias partes do cérebro. As conexões não são localizadas numa zona cerebral distinta (o que se observa atualmente com as localizações funcionais). De mais, o tratamento é simultâneo, o que significa que tudo é tratado ao mesmo tempo e no mesmo nível de importância. O número de neurônios tocados é reduzido de velocidade. Eles têm efetivamente... a cabeça cheia!
Este 'trio automático' não se aciona no cérebro do sobredotado que se reencontra em face de uma multidão de informações que se deve tratar 'manualmente'. Fala-se em déficit de inibição latente. O que supõe um esforço singular para se 'colocar' dentro de sua cabeça e determinar quais são os dados a privilegiar. Compreende-se bem a dificuldade que encontra o sobredotado quando ele deve organizar e estruturar seu pensamento. E quanto resta a capturar com todas as emoções e sensações associadas.
O estilo <independente do campo> permite descontextualizar facilmente e de ser mais eficaz na ativação das capacidades intelectuais. O espaço é desobstruído para desencadear o recurso necessário à resolução de um problema dado. Ele é associado às personalidades independentes, pouco influenciáveis e que chegam a colocar de lado o afetivo quando é necessário. Elas sabem fazer <parte das coisas>.
Nada disso tudo para os <dependentes do campo>, que são rapidamente afogados em tudo o que os cercam e que não chegam a extrair o essencial (ou o que parece sê-lo). Os sobredotados, é claro, são estes aqui!
Particularmente perdidos na abundância da sua percepção das coisas, o sobredotado não opera a diferenciação necessária a um tratamento rápido e eficaz dos dados. Mais ainda, sua dependência do contexto é amplificada pela dimensão afetiva.
Um sobredotado é sempre dependente do contexto afetivo, ele não sabe, ele não pode funcionar sem levar em conta a dimensão e a carga emocional presentes.'
O desafio: selecionar a informação pertinente.
Nessa ativação cerebral permanente e acelerada, como chegar a reparar a informação principal? Como distinguir o dado pertinente para resolver o problema ali, naquele momento? Tudo vai muito rápido e tudo aparece no cérebro ao mesmo tempo. Quando se tenta agarrar uma ideia, ela está já muito longe e outras centenas surgiram. Como, enfim, liberar-se da carga emocional que se ativa no mesmo ritmo que os neurônios e que provoca o pensamento em zonas ainda mais longínguas?' (Siaud-Facchin)

domingo, 9 de dezembro de 2018

Superdotação e Currículo (parte I)
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Quando nos perguntamos sobre o currículo mais adequando a educação de alunos superdotados, estamos coadunados com o princípio da educação qualitativamente diferenciada, ou seja, atender as necessidades, estilos, ritmos e potenciais de cada aluno. Devemos perceber que tal princípio está amplamente imerso nos valores defendidos pelos direitos humanos, que contemplam tratamentos diferenciados às pessoas com vistas à garantia da equidade dos direitos.
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O Brasil ainda precisa avançar muito em termos práticos na perspectiva de uma educação mais isonômica, especialmente no que tange a educação dos alto habilidosos e mesmo que aqui não existe um modelo de ensino-aprendizagem formalmente instituído, podemos elencar princípios coletados dos melhores modelos educacionais do mundo, por exemplo, em 1982 Passow e equipe sugeriram algumas orientações basilares que podemos citar e discutir (in Sodré, 2006, p.91):
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1) Conteúdo que explore diferentes sistemas de pensamento.
 “O conteúdo dos currículos para superdotados deve ser organizado para incluir o estudo mais elaborado, complexo e profundo de ideias, problemas e temas que integrem o conhecimento de diferentes sistemas de pensamento” (in Sodré, 2006, p. 91).
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Comentários.
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Já discutimos que os superdotados têm sede por conhecimentos e buscam níveis de profundidades muito maiores nos assuntos que estudam quando comparados que a maioria das pessoas. Dessa forma, a condição de enfado ou desinteresse diante de aulas cujas temáticas ou detalhismos sejam rasos serão sentidas pelos mais talentosos. Imagine se você fosse obrigado a ouvir novamente uma mesma lição que já domina completamente, que tivesse de ficar sentado ouvindo e escrevendo em níveis de pensamento e conhecimentos aquém do seu potencial? Para quem está na infância e adolescência, momento em que sua função executiva de autocontrole ainda está imatura ou em desenvolvimento, seria um tormento, ao mesmo tempo que um convite a transgressão, delinquência ou fuga da sala de aula.
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Quando Passow propõe a integração de diferentes sistemas de pensamento, está desafiando não apenas a cognição do sujeito em uma área de domínio, mas projetando também a articulação de diversos módulos de inteligência ou capacidades, o que representa uma multiplicidade de desafios. Por exemplo, o reconhecidíssimo sistema de ensino Finlandês, no ano de 2016, inicia uma forma ainda mais arrojada de tratamento dos conteúdos, pois agora não estarão condicionados a disciplinas específicas, mas orbitarão em torno da solução de problemas ou temas de estudo. Em outras palavras, estimularão os alunos a pensarem de maneira inter ou transdisciplinar, por exemplo, se os alunos forem estudar algo sobre a “Idade Média”,  farão abordando as diversas facetas do tema, por exemplo, os castelos serão visto do ponto de vista arquitetônico e as influências culturais, bem como estrutura física para guerras/conflitos, serão entendidas das relações matemáticas que envolvem sua estrutura; observados os impactos para biologia das pessoas que lá habitavam, analisados os componentes geológicos e químicos que os compunham, dentre outras abordagens que poderiam ser feitas segundos os níveis, limites e possibilidades de cada segmente escolar. Portanto, estudar a partir dos múltiplos  fenômenos que compõem uma realidade de maneira integrativa ou transdisciplinar é realmente uma proposta bastante desafiadora e perfaz uma aprendizagem bastante assentada na experiência e na mobilização de múltiplos recursos cognitivos (phenomenon learning).
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Para saber um pouco mais sobre as mudanças no modelo finlandês, lei a matéria:
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www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/12/151206_finlandia_educacao_muda_fn
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2) Níveis de pensamento mais elevados.
“O currículo deve facilitar o desenvolvimento e a aplicação de habilidades de pensamento produtivo, para permitir que os alunos reconceitualizem o conhecimento existente ou criem conhecimento novo” (in Sodré, 2006, p. 91)
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Comentários.
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Os níveis de pensamento criativo e crítico dos alto habilidosos são mais elevados e precisam ser sempre estimulados e bem empregados. Todos os especialista do campo ratificam que o potencial criador deve ser aproveitado, canalizado e expandido ainda mais com atividades que sejam desafiadoras e imbuídas de propósito maior, especialmente de cunho ético. A aprendizagem baseada problemas ou projetos, bem como o modelo de enriquecimento escolar renzulliano  são amplamente indicados nessa perspectiva e permitem ao mesmo tempo, explorar novos assuntos, treinar habilidades cognitivas e sociais e buscar a solução de problemas reais.
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A estimulação do pensamento produtivo compreende a expansão do pensamento divergente, a capacidade criadora pela busca de novas soluções para os mesmos problemas que afligem a sociedade, independente da natureza dos mesmos.
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Essa é uma necessidade crucial nos tempos líquidos, em que o panorama civilizatório se tornou muito complexo e diversificado, com níveis e tipos de problemas com um amplo espectro de dificuldade e alcance, por exemplo, os desafios para conservação ambiental, os dilemas éticos hodiernos, os enfrentamentos de ordem sociais (corrupção, violência, desigualdades sociais...), dentre outros.
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3) Currículo em sintonia com os desafios hodiernos.
“O currículo deve facilitar a exploração do conhecimento em perpétua mutação e o desenvolvimento da atitude de apreciação de busca de conhecimento em mundo aberto” (in Sodré, 2006, p. 91).
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Comentários.
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Essa perspectiva curricular está bem concertada com a noção de currículo capaz de preparar os cidadãos para lidarem com o que Bauman relata serem: as incertezas diariamente fabricada; as ambiguidades da vida; a capacidade de viver em paz e com a diversidade; a competência em processar o “novo” e todas as alegrias, dúvidas, angustias ou medos com ele trazidos.
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Sabemos que o mundo como hoje se desvela nos atravessa com múltiplos desafios, sejam esses congnitivos (precisamos aprender mais e em menos tempo, bem como saber usar tais conhecimentos adequadamente), sociais (precisamos enfrentar a imbricada teia social, compreendendo e respondendo adequadamente as causas e consequências dos problemas), éticos (precisamos compreender em um nível de pensamento “para além do senso comum” as questões éticas, respondendo corretamente o que queremos, o que podemos e o que devemos fazer em cada situação dilemática).
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Os indivíduos superdotados, quando bem educados e não apenas bem instruídos, pois instrução é muito menos que educação! Estarão melhor preparados para mobilizar os seus talentos, sempre investidos de propósito ético, para resolução dos problemas reais que se renovam ou se repaginam de tempos em tempos. Portanto, um currículo que encare a mutabilidade do conhecimento, que se desevencilhe do engessamento, da alienação e da fragmentação é essencial para educação de todos, com destaque aqui, para a dos alto habilidosos.
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Igor Paim
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Continuaremos na próxima postagem.
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Críticas? Dúvidas? Sugestões?
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Envie para educacaodesuperdotados@gmail.com
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Bibliografia
PASSOW, A.H. Differentiated curricula for the gifted/talented. Ventura: National/State Leadership. Training Institute on the Gifted and Talented. 1982.
SODRÉ, S.G. Educação de Superdotados: Teoria e prática. São Paulo: EPU. 2006.
SODRE, S.G. Superdotação e currículo In: Altas Habilidades/superdotação, inteligência e criatividade: Uma visão multidisciplinar. Campinas, SP: Papirus 2014.
WINNER, E. Crianças sobredotadas. Portugal: Instituto Piaget, 1996.